“Penso que a grande vitória da Abrac é o respeito técnico que conquistou”

Em entrevista à Abrac, Marco Roque, vice-presidente de Produtos da entidade, recorda a criação da instituição e fala sobre os desafios atuais da Avaliação da Conformidade

 Marco Roque

“O grande desafio foi organizar efetivamente uma entidade de classe profissional, onde as pessoas pudessem fazer com que os interesses da associação se movimentassem”. É assim que Marco Roque, segundo presidente da Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac), e atual vice-presidente de Produtos, recorda a criação da instituição em 2009 diante da necessidade de profissionalizar as ações das certificadoras, e na sequência, dos organismos de inspeção e laboratórios.

Segundo relata o vice-presidente, em 2009 existiam duas associações relacionadas com o segmento, a Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (ABAC) e a Associação Brasileira das Certificadoras (Abracert), sendo que a primeira reunia os organismos de certificação nacionais, e na outra as multinacionais.

“O primeiro problema é que não tinha uma voz única para negociar com ninguém, muito pelo contrário, e isso gerava uma expectativa. Na prática, cada empresa tinha que resolver suas pendências com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Entretanto, existem mais de 100 certificadoras, é impossível a autarquia atender todos eficientemente. Então a Abroc nasceu numa necessidade de profissionalizar as ações das certificadoras”, declarou.

Roque conta que a entidade começou apenas com certificadoras de produtos e sistemas, contando com cerca de 20 associados. “Fizemos a primeira reunião no Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP). Foi uma dificuldade gigante. A primeira delas é que por ser uma Associação sem fins lucrativos, você não conseguia abrir conta em banco, alugar um imóvel, solicitar um telefone, tudo era difícil”, acrescentou.

De acordo com Roque, o primeiro presidente da diretoria foi Masao Ito, como consultor, Paulo Bertolini, e ele mesmo como presidente do Conselho. “Posso dizer que a entidade nasceu com o objetivo de poder defender os interesses das empresas de certificação perante o mercado, e assim Masao e Bertolini carregaram o piano nas costas”, comentou.

Segundo Roque, no dia primeiro de dezembro de 2009, ele assumiu a presidência da Abroc, e Masao Ito passou a ser o superintendente (cargo que ocupa até hoje). “O grande desafio foi organizar efetivamente uma entidade de classe profissional, onde as pessoas pudessem fazer com que os interesses da associação se movimentassem”, declarou.

Para ele, com o passar do tempo foi possível visualizar uma melhor interlocução, como o relacionamento com o Inmetro, que passou a ser excepcional para os dois lados. Quando o Instituto tinha um problema sabia com quem falar, bem como quando um associado tinha alguma situação para resolver, a Abroc sabia por qual caminho chegar.

“O resultado inicial foi incrível. Contudo, começamos a verificar que não bastava só continuar tendo um único diálogo com o Inmetro. A Associação precisava expandir o seu nível de contatos. Precisávamos nos relacionar com a Anatel, com a Anvisa, e com as entidades internacionais, ou seja, não bastava só se profissionalizar, tínhamos que entrar de cabeça no mundo da Avaliação da Conformidade”, acrescentou.

Os avanços obtidos fizeram com que os membros chegassem à conclusão que era necessário desenvolver mais esforços na área institucional, e então em 17 de dezembro de 2013, Synésio Batista da Costa assumiu a presidência da entidade, cargo que ocupa até hoje.

Segundo Marco Roque foi o momento de uma grande decisão: congregar certificadoras de pessoas, organismos de inspeção e laboratórios. “Somente depois conseguimos fazer a transição de Abroc para Abrac, ou seja, de Organismos de Certificação para Organismos de Avaliação da Conformidade. Dessa maneira, tínhamos toda a cadeia da função de certificação incluída, e efetivamente começamos a ter uma participação excepcional”, declarou.

A Abrac (antiga Abroc) foi instituída oficialmente em 20 de março de 2014, e nesses sete anos de vida, vem cumprindo um papel fundamental, que diz respeito a desenvolver atividades dos organismos de certificação, inspeção e laboratórios. Para ele, a Abrac teve a fase de consolidação de ideias e consolidação financeira, e agora vive a etapa institucional, onde é reconhecida como uma Associação de prestação de serviços por todos que convivem com ela, não só os associados, mas também por aqueles que coabitam o mundo da Avaliação da Conformidade.

“A Associação foi criada com uma modelagem bastante interessante que são os grupos técnicos, que envolvem a maneira como lidamos com o mercado. A entidade tem uma característica operacional similar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é a nossa normatizadora. Isso deu para a instituição uma solidez técnica, e penso que a grande vitória da Abrac é o respeito técnico que conquistou. Este é o grande trunfo”, ressaltou.

Roque destaca que outra conquista é a formação de novos dirigentes. “Os dirigentes atuais têm ideias excelentes. Também vejo como muito positiva a entrada do Synésio para posicionar a Abrac como uma associação de classe. Como exemplo, a maneira que trabalhamos em consonância com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Positivamos as convergências”, declarou.

Para Roque, o novo foco da Abrac deve ser reunir a totalidade dos laboratórios e dos organismos de certificação e inspeção acreditada como associados. “Me admiro que possa existir alguém que não queira ser nosso associado. A Abrac é um fórum de discussão, onde empresas brasileiras tem voz ativa, assim como multinacionais de 150 anos. A importância da entidade de elevar o nível de avaliação da conformidade foi fundamental. Com isso você tem uma disputa igual de mercado”, finalizou.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac