“Os usuários precisam ter certeza de que vão estar utilizando instrumentos e equipamentos seguros”

Vice-presidente de Telecomunicações da Abrac, Leonardo Tozzi Pinheiro, comentou sobre a tecnologia 5G

A Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) entrevistou o vice-presidente de Telecomunicações da entidade e gerente-geral para a América Latina da NCC Certificações – empresa do grupo Bureau Veritas, Leonardo Tozzi Pinheiro, que comentou sobre a tecnologia 5G, que deve chegar nas capitais brasileiras em julho deste ano.

A NCC foi fundada em 1994, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, e desde 1999 atua no Brasil como NCC Certificações do Brasil, acreditada pela Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) como Organismo de Certificação de Produto (OCP), Organismo de Certificação de Sistema (OCS), Organismo de Certificação de Sistemas de Gestão de Produtos para Saúde (OMD) e como Organismo de Certificação designado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a certificação de produtos para telecomunicações.

Leia a entrevista na íntegra.

Abrac – A previsão de ativação do sinal 5G nas capitais brasileiras é para julho deste ano. Quais são as expectativas do segmento de avaliação da conformidade?

Leonardo Tozzi Pinheiro – A chegada do 5G representa um importante passo do setor de telecomunicações para o Brasil. Essa tecnologia vai permitir, através de velocidades mais altas de comunicação e latências mais baixas, a utilização da rede sem fio para diversas aplicações que até então eram impossíveis, como carros autônomos conectados, processamento central de imagens para cirurgia e muitos outros. Para o segmento de avaliação da conformidade isso representa uma oportunidade de novos negócios. Uma vez que todos esses equipamentos até então trabalhados de forma desconecta a rede 5G e, por consequência, vão passar pelos ensaios e pela avaliação da conformidade do sistema de comunicação deles. Essa avaliação da conformidade é importante para garantir que as funcionalidades vão ser entregues ao usuário de forma controlada e correta sem interferir no espectro de radiofrequência brasileiro nem nos sistemas das operadoras de telefonia.

Abrac – Para que o 5G tenha efetividade é necessário que os aparelhos sejam compatíveis com a nova frequência. Como foi para as certificadoras e laboratórios se adequarem a essa nova tecnologia?

Leonardo Tozzi Pinheiro – A preparação das certificadoras e dos laboratórios para receber a tecnologia 5G passou por diversas etapas, dentre elas, capacitação e treinamento de pessoas, investimento em equipamentos, documentações necessárias para avaliação da conformidade, e a modificação dos processos uma vez que a distância entre os diversos tipos de equipamento está cada vez menor. Então, se até então tinha um processo de certificação, por exemplo, de uma geladeira e um processo de certificação de um celular de formas distintas, com o 5G, o IoT (Internet das Coisas) e a conectividade desses equipamentos, a gente vai se fundir praticamente ou aproximar de forma bastante importante os processos de certificação de cada um dos diferentes componentes dessa tecnologia.

Abrac – Quais são os principais ensaios que os aparelhos com tecnologia 5G passam antes de chegar na mão do consumidor brasileiro?

Leonardo Tozzi Pinheiro – O processo de avaliação da conformidade dos equipamentos 5G demanda diversos ensaios dos laboratórios. Para atender as normas, precisamos inicialmente realizar os ensaios funcionais para as tecnologias, ou seja, Non StandAlone (NSA) e Standalone (SA), de acordo com a norma ETSI TS 138 521-1. Além disso, para os equipamentos que operam em faixas de frequência abaixo de 6GHz, o chamado FR1, são necessários ensaios de imunidade conduzida. Para aqueles equipamentos que operam nas faixas dos 26GHz, ou seja, FR2, faremos também os ensaios de imunidade radiada. Além de todos esses ensaios funcionais, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) solicita avaliação de compatibilidade eletromagnética (EMC), taxa de absorção específica (SAR) e segurança elétrica para os equipamentos ligados na tomada, assim como ensaios de bateria.

Abrac – No seu ponto de vista, qual o papel da avaliação da conformidade nessa chegada do 5G no Brasil?

Leonardo Tozzi Pinheiro – Com a tecnologia 5G, diversos novos equipamentos vão estar presentes na vida dos usuários. Isso faz com que a avaliação da conformidade seja ainda mais importante. Não só para garantir a funcionalidade das diversas tecnologias e protocolos empregados na sua utilização, mas também para garantir a segurança e eficácia desses equipamentos. Os usuários precisam ter certeza de que vão estar utilizando instrumentos e equipamentos seguros do ponto de vista elétrico para evitar choques e possíveis danos à saúde. Além disso, as avaliações de radiação emitida e compatibilidade eletromagnética são muito importantes para garantir aos usuários a segurança da operação dos aparelhos uma vez que esses vão estar cada vez mais próximos das pessoas.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac