“O Sindipeças entende a necessidade da avaliação da conformidade de produtos de forma que garanta a sua qualidade no mercado de reposição”

Em entrevista à Abrac, o diretor de Tecnologia do Sindipeças, Gábor Deák destaca a importância da avaliação da conformidade e as alterações pelas quais o setor passará com a modernização do modelo regulatório

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O diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Gábor Deák, concedeu entrevista exclusiva à Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) para falar sobre a importância da entidade, a avaliação da conformidade e as alterações que o setor passará após a modernização do modelo regulatório do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Deák é formado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e é pós-graduado em Administração de Empresas pelo Curso de Especialização em Administração para Graduados (CEAG), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, foi presidente regional para a América do Sul da Delphi Corporation de 2003 a 2013. Ocupou posição de liderança em outras grandes empresas, como a Iochpe Maxion. Atualmente, é também integrante do Conselho Executivo da SAE Brasil, entidade que dirigiu nos anos de 2005 e 2006.

Leia a entrevista na íntegra:

Abrac – Qual o papel do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) para a sociedade?

Gábor Deák – O Sindipeças, entidade criada há quase 70 anos, representa cerca de quinhentos fabricantes de autopeças, localizados em vários Estados brasileiros. Esse setor industrial registrou faturamento líquido nominal de R$ 117,7 bilhões em 2020. Os segmentos de mercado atendidos são montadoras, reposição, exportação e intrassetorial (um fabricante e autopeças vendendo para outro, para a montagem de sistemas). Dentre as principais áreas de atuação da entidade estão a difusão do conceito de inovação para seus associados e a participação ativa em programas, como o Rota 2030, que colaboram para o aumento da competitividade do setor e, consequentemente, de sua integração ao mundo.

Abrac – A Avaliação da Conformidade é, em resumo, o meio pelo qual um produto, processo, sistema ou serviço é avaliado e comparado com uma referência, de forma a propiciar um adequado grau de confiança de que o mesmo atende aos requisitos pré-estabelecidos em padrões, normas e regulamentos técnicos. Como a entidade vê a importância dessa avaliação?

Gábor Deák – O Sindipeças entende a necessidade da avaliação da conformidade de produtos de forma que garanta a sua qualidade no mercado de reposição, que precisa ser complementado por um programa de fiscalização e monitoramento de mercado, para evitar distorções na qualidade e acompanhar a conformidade ao longo da vida do produto.

Abrac – O ensaio laboratorial consiste na determinação de uma ou mais características de uma amostra do produto de acordo com um procedimento especificado. É a modalidade de avaliação da conformidade mais frequentemente utilizada porque, normalmente, está associada a outros mecanismos de avaliação da conformidade, em particular à inspeção e à certificação. Como o Sindipeças avalia a importância dos ensaios nos componentes para veículos automotores?

Gábor Deák – Para o Sindipeças, os ensaios são a maneira de comparar os produtos sempre da mesma forma, para atender os requisitos estipulados em normas ou portarias. A acreditação de laboratórios também é passo importante nesse processo. Acreditamos que a quantidade de ensaios e os requisitos devam ser consensados entre as partes interessadas, de forma a que os custos dos ensaios e a periodicidade sejam equilibrados com o custo do produto no mercado.

Abrac – Em breve, o Inmetro publicará o seu novo modelo regulatório. Quais são as expectativas do Sindipeças e o que impactará no setor?

Gábor Deák – A nossa expectativa em relação à atualização do modelo regulatório do Inmetro são: 1. que as peças consideradas de segurança, com base na análise de risco, estejam abrangidas em programas compulsórios de certificação; 2. que a frequência de recertificação e de manutenção da certificação sejam mais espaçadas; 3. que a transição para a novo modelo contemple a necessidade de adequação de produtos e embalagens que serão ou que já foram produzidos; 4. que os mecanismos de vigilância de mercado sejam o foco do novo modelo, incluindo apoio aos braços de fiscalização do Inmetro; 5. além dos modelos compulsórios, parceria entre Inmetro e o OCP para criação de modelos voluntários de acreditação da conformidade para que haja programas de verificação do mercado para produtos que apresentem risco ao consumidor, mesmo não compulsória.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac