“O principal tópico do ano passado, na minha opinião, foi a evolução do processo de modernização do Modelo Regulatório no País”

O vice-presidente de Produtos da Abrac, Alexandre Xavier, fez um balanço de 2021, comentou sobre as expectativas para 2022, entre outros tópicos

A Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) entrevistou o vice-presidente de Produtos da entidade e superintendente do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), Alexandre Xavier, que fez um balanço de 2021, comentou sobre as expectativas para 2022, entre outros tópicos.

Xavier possui MBA em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com extensão através da City University (UK), graduado em Publicidade pelo Mackenzie e Técnico em Eletrônica pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETESP). De forma voluntária, é membro do Conselho de Acreditação (Conac) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), e do Conselho Consultivo do CB005 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Leia a entrevista na íntegra.

Abrac – Qual o balanço que você faz para 2021 na área da avaliação da conformidade?

Alexandre Xavier – O principal tópico do ano passado, na minha opinião, foi a evolução do processo de modernização do Modelo Regulatório no País, especialmente o focado nas atribuições de responsabilidade do Inmetro. Não apenas houve essa evolução significativa por parte do Inmetro, tanto no nível das discussões, quanto na evolução das etapas, que já estamos prestes, agora no início de 2022, a ter a publicação definitiva, quanto o próprio nível de discussões e quantidade de solicitações diretamente dos setores produtivos. Isso, no meu ponto de vista, não é apenas uma evolução natural, mas uma influência direta das discussões e encaminhamentos feitos, principalmente pelo Inmetro, mas é uma diretriz que vem margeando as iniciativas de diversas outras agências reguladoras.

Abrac – Na sua opinião, quais foram as principais conquistas do segmento em 2021?

Alexandre Xavier – Em uma relação direta com o que comentei, entendo que uma conquista muito nítida desse nível de qualidade das discussões é o aumento da percepção de importância da avaliação da conformidade para o País e naturalmente para o mercado e sociedade. A iniciativa do Inmetro de estar no mesmo contexto da modernização do Modelo Regulatório, estruturar e disseminar a infraestrutura da qualidade do País, colaborou significativamente nesse sentido para que a sociedade, mercado e o País como um todo, entenda a importância das normas técnicas, regulamentações e da avaliação da conformidade, não apenas do ponto de vista de uma exigência burocrática, mas sim de um fator de competitividade essencial para o nosso País.  Aliás, em consonância com o mundo globalizado em que estamos inseridos atualmente.

Abrac – O novo Modelo Regulatório do Inmetro deve entrar em vigor em fevereiro deste ano. Quais serão as principais mudanças para a área de produtos?

Alexandre Xavier – O Modelo Regulatório é baseado em diretrizes gerais, então a principal modificação para produtos, entendo que envolva a mudança de responsabilidade no sentido do Governo Federal através do Inmetro especificar e prescrever todos os detalhes de um produto que deve minimamente atender, invertendo de uma forma absolutamente positiva, essa responsabilidade para os próprios setores produtivos. Os setores produtivos indicarão com as diretrizes desse Modelo Regulatório, que fatores são essenciais em relação a cada tipo de produto, que conforme seu nível de risco, um aspecto que é previsto no próprio Modelo Regulatório, que critérios de qualidade devem ser atendidos. Entendo que isso é algo extremamente positivo para o País, porque envolve passar a responsabilidade para quem mais conhece daquele produto sobre as exigências pelas quais eles tenham que ser submetidos, é um aumento de importância das normas técnicas, que são a base de referência para que você possa especificamente exigir esses critérios e requisitos, e por fim a valorização da avaliação da conformidade, e de uma maneira neutra, idônea e tecnicamente competente, ajudará o mercado e a sociedade entender de forma robusta e confiável que produtos realmente cumprem aquela exigência. Então, é efetivamente uma mudança ganha-ganha para todos os envolvidos.

Abrac – Já o Laboratório de Infraestrutura da Qualidade, que foi lançado no final de novembro de 2021, quais são as expectativas para este ano?

Alexandre Xavier – O Laboratório de Infraestrutura da Qualidade está situado no Parque Tecnológico de Itaipu, que elegeu o foco de atuação o tema cidades inteligentes. É um assunto que está dentro de um guarda-chuva maior de transformação digital, mas é um dos principais temas dentro desse grande contexto, porque dentro de uma cidade inteligente você vai envolver os mais diferentes fatores relacionados as novas tecnologias, a mudança de mentalidade das pessoas como cidadãos, como consumidores e é um contexto onde o Laboratório de Infraestrutura da Qualidade se insere de uma maneira fundamental para ajudar a garantir a robustez das propostas que serão desenvolvidas ali dentro do Parque. Dentro disso, o Laboratório de Infraestrutura da Qualidade terá um papel muito importante de construir esse futuro relacionado a regulamentação, as normas técnicas, a avaliação da conformidade, de um mundo que ainda não existe da forma esperada e até da forma que ainda não é conhecida. É muito legal, porque a infraestrutura da qualidade muitas vezes acaba entrando depois da inovação, depois dos desenvolvimentos, o que acaba muitas vezes gerando a miopia da sua atuação e importância. Tendo um Laboratório de Infraestrutura da Qualidade, que entra em um momento de discussões iniciais ou intermediárias, nós conseguimos potencializar ao máximo a importância da infraestrutura da qualidade para o País, para as empresas e consumidores, porque ao mesmo tempo que a inovação acontece, a maneira de controlar e garantir da forma mais ampla possível o nível da qualidade necessária para a sociedade acontece em conjunto. Diria, em outras palavras, que o Laboratório de Infraestrutura da Qualidade trabalha em um nível próximo do ideal de como o sistema todo deve funcionar.

Abrac – Quais são as suas expectativas para área de avaliação da conformidade em 2022?

Alexandre Xavier – Prosseguindo com o destaque de 2021, que foi o amadurecimento e a conclusão, quase que final, de um movimento que influenciou muito nosso segmento nos últimos anos, 2022 é o ano de começar a colocar em prática. Conversamos muito, discutimos muito, amadurecemos muito e agora é transformar todo esse esforço e energia em realidade. Da mesma forma amadurecida, que embasou esse trabalho de construção do Modelo Regulatório, também uma aplicação prática, que deve ser amadurecida da mesma maneira. São mudanças significativas e que envolvem fatores estratégicos para o País, empresas e consumidores em parcimônia, o que não significa morosidade, mas fazer as coisas no seu tempo certo. Vamos entrar agora no início de um processo de amadurecimento para aplicação prática de tudo que foi construído e espero dentro dessa parcimônia, que a gente consiga colher já os primeiros frutos, porque a expectativa e o interesse da sociedade no tema, tanto envolvendo as entidades representativas, como as empresas que formam os setores produtivos diretamente, já é muito clara. Temos um papel de grande responsabilidade, que é o de transformar todo esse estudo, todo esse trabalho e energia em algo prático e de valor para o nosso País.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac