“O Inmetro tem como missão prover soluções de Infraestrutura da Qualidade em apoio ao setor produtivo”

Presidente do Inmetro concedeu entrevista à Abrac para falar sobre o primeiro Laboratório de Infraestrutura da Qualidade no Brasil

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Na última terça-feira (30.11), foi inaugurado o primeiro Laboratório de Infraestrutura da Qualidade no Brasil do Parque Tecnológico Itaipu (PTI-BR), em Foz do Iguaçu (PR). O projeto é uma parceria entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac), o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e o Parque Tecnológico Itaipu.

A Abrac inicia o Especial Infraestrutura da Qualidade, com uma série de entrevistas sobre o tema. O primeiro entrevistado da Associação foi o presidente do Inmetro, Marcos Heleno Guerson Júnior, para comentar sobre os principais objetivos do Laboratório, a importância das entidades trabalharem no projeto, entre outros tópicos.

Leia na íntegra.

Abrac – Quais são os principais objetivos do Laboratório?

Marcos Heleno Guerson Júnior – O Inmetro tem como missão prover soluções de Infraestrutura da Qualidade em apoio ao setor produtivo. O que é isso? Quem agrega qualidade nos produtos é quem produz, quem fabrica, quem faz obras, e conduz processos. O Inmetro trabalha na infraestrutura para que essas empresas possam investir na qualidade que é através da metrologia, da avaliação da conformidade e da acreditação. Temos a parceria com a ABNT que é o Fórum Normalizador do Brasil. As normas técnicas são muito importantes também. A ideia do Laboratório de Infraestrutura da Qualidade, no momento em que estamos trabalhando as cidades inteligentes, a indústria 4.0, é para que se coloque os novos desafios para esse conjunto de atores (Inmetro, ABNT, Abrac) para que possam verificar como podem melhorar esse suporte e dar as ferramentas adequadas para o setor produtivo.

Abrac – Qual a importância da Abrac, ABNT, Inmetro e PTI estarem juntos nesse projeto?

Marcos Heleno Guerson Júnior – Um dos maiores desafios da Infraestrutura da Qualidade é que os atores trabalhem de forma integrada. Vou dar um exemplo: você não pode colocar em uma norma técnica um requisito que não tenha como medir, e isso às vezes acontece. O Inmetro está integrado tanto com a normalização quanto com a avaliação da conformidade. Para quem vai avaliar na prática, é fundamental que na norma esteja um requisito que possa ser medido e que na prática possa ser certificado lá na ponta. Quando você desalinha tudo isso você não gera o efeito que a nossa indústria precisa para poder avançar.

Abrac – Agora com a inauguração do Laboratório de Infraestrutura da Qualidade, quais serão os próximos passos?

Marcos Heleno Guerson Júnior – Estamos atuando na área da inovação, então são desafios que nem conhecemos ainda. Muito vai acontecer da própria demanda daqueles que estão fabricando, que estão colocando esses produtos inovadores no mercado, e que vão apresentar para a gente. É na função dessa demanda, dessa análise, que nós vamos customizar uma série de ferramentas para poder apoiar e novas possibilidades, novos regulamentos, novas formas de medir, soluções que a gente nem pensa ainda, porque nós estamos falando de inovação e tudo é muito novo e muito rápido. Queremos é criar espaço, ecossistema, para que essas soluções possam ser discutidas e trabalhar a conformidade delas.

Abrac – Como o senhor avalia a importância da Infraestrutura de Qualidade alinhada com a acreditação?

Marcos Heleno Guerson Júnior – Vou dar um exemplo muito simples: uma panela de pressão é um produto regulamentado pelo Inmetro. Então é necessário fazer a certificação dessa panela. Um produtor de Divinópolis (MG) encarava isso como um custo. Palavras dele: “eu não vou pagar para fazer essa certificação”. Depois de alguns anos, ele viu que não tinha mais jeito, pois era obrigatório e estava atrapalhando o negócio dele, foi lá e fez a certificação do produto dele, e disse depois que se soubesse como era, teria feito antes. E por que ele disso? A primeira coisa que esse produtor descobriu é que a chapa que ele colocava na panela era mais fina do que ele estava comprando, ou seja, estava sendo enganado pela pessoa que vendia a chapa e só descobriu isso através da certificação. Então ele passou a ter uma panela de qualidade, competitiva, e com condições de competir no mercado.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac