“É importante termos no País laboratórios capacitados e aptos para testar novas tecnologias”

Em entrevista à Abrac, José Eduardo Bertuzzo, vice-presidente da entidade e executivo de Tecnologias de Produtos do Instituto de Pesquisas Eldorado, fala sobre 5G

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O vice-presidente de Telecomunicações da Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) e executivo de Tecnologias de Produtos do Instituto de Pesquisas Eldorado, José Eduardo Bertuzzo, concedeu entrevista à entidade para falar sobre as adequações que o laboratório passou para atuar no escopo do 5G.

Fundado em 1999, o Eldorado é uma instituição sem fins lucrativos voltado a pesquisa, desenvolvimento e inovação, com sede em Campinas (SP), e filiais em Brasília (DF), Porto Alegre (RS), e Manaus (AM).

“Quando um aparelho 5G é certificado no Brasil, é necessário verificar se ele está operando de acordo com as condições de uso definidas para o País”, explicou Bertuzzo.

Leia a entrevista na íntegra:

Abrac – Como a Eldorado se adaptou para atuar no escopo do 5G?

José Eduardo Bertuzzo – O Eldorado investiu tanto na capacitação do seu corpo técnico quanto na aquisição da instrumentação necessária para atender a esse escopo. Além disso, participou de discussões técnicas junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e em parceria tanto com provedores de solução para medição, quanto de fabricantes de produtos, na definição dos requisitos e na análise de aplicabilidade dos testes que foram estabelecidos pela Agência para a tecnologia 5G.

Abrac – Quais mudanças e inovações foram necessárias para que pudessem atuar com a nova tecnologia?

José Eduardo Bertuzzo – A tecnologia 5G traz demandas para o espectro de ondas milimétricas (FR2). Por conta disto o Eldorado teve que investir e se preparar tanto do ponto de vista de infraestrutura quanto de recursos humanos para fazer frente a estes novos desafios.

Abrac – Foi necessário realizar capacitação dos colaboradores? Em caso positivo, pode nos contar um pouco sobre?

José Eduardo Bertuzzo – Sim, a tecnologia 5G é disruptiva. Foi necessário investir em treinamentos teóricos. Além disso, oficinas de estudo no tema e testes-piloto simulando os cenários de utilização dessa tecnologia que estão hoje presentes no Brasil foram reproduzidos em laboratório, com o intuito de fortalecer as habilidades dos nossos colaboradores.

Abrac – Quais são os principais ensaios que os aparelhos 5G precisam passar e com qual objetivo cada um é feito?

José Eduardo Bertuzzo – Os testes hoje exigidos no País para esta nova tecnologia abrangem a avaliação dos principais parâmetros da tecnologia 5G. Além desses parâmetros, a compatibilidade eletromagnética do aparelho, a segurança elétrica que esse dispositivo oferece ao usuário, e suas características de emissão de radiofrequência que possa ser absorvida pelo corpo humano durante a utilização do dispositivo.

Abrac – Qual a importância dos laboratórios e certificadoras se adaptarem para atuar com o 5G?

José Eduardo Bertuzzo – É importante termos no País laboratórios capacitados e aptos para testar novas tecnologias conforme a realidade brasileira. Temos, por exemplo, um ambiente eletromagnético único, com alta incidência de raios, e essa realidade é considerada no cenário de testes exigidos no Brasil. Da mesma forma, o papel dos organismos certificadores estarem atualizados quanto a essas novas tecnologias, como é o caso do 5G, traz a garantia de que produtos que são vendidos mundialmente estejam aderentes ao uso adequado do espectro. Cada país ou região tem um mapa de uso de frequências, que não é padronizado a nível global. Quando um aparelho 5G, por exemplo, é certificado no Brasil, é necessário verificar se ele está operando de acordo com as condições de uso definidas para o País. Esse é um papel compartilhado tanto dos organismos avaliadores quanto dos laboratórios.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac