Abrac destaca tendências da Certificação no Encontro de Organismos de Avaliação da Conformidade

Nesta segunda-feira (07.06), a Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) foi representada pelo presidente Synésio Batista da Costa, pelo vice-presidente de Produtos, Alexandre Xavier L. Martins, e pelo conselheiro, Paulo Henrique Dantas Martins Bertolini, no Encontro de Organismos de Avaliação da Conformidade (ENOAC).

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Durante a programação, o presidente da Abrac destacou o Dia Mundial da Acreditação – 9 de junho -, acompanhamento da entidade no modelo regulatório do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e criação da Associação Interamericana de Avaliação da Conformidade (AIEC).

“Queria parabenizar o Inmetro, em nome da Abrac e de todos os organismos do País, pela iniciativa de comemorar e de registrar o Dia Mundial da Acreditação. É fundamental que a gente destaque os preceitos da atividade, que são confidencialidade, imparcialidade, isenção, transparência e acima de tudo a independência, que é algo que nós todos prezamos e não abrimos mão”, iniciou Costa.

Segundo ele, a observância de tais princípios é essencial para que o Brasil obtenha o reconhecimento de seus programas de avaliação da conformidade junto aos fóruns internacionais, adotando-se as práticas, normas e guias internacionais.

O presidente ressaltou que a Abrac tem acompanhado desde o início os debates sobre o novo modelo regulatório do Inmetro e formou grupos de discussão para encaminhar sugestões durante a consulta pública.

“O Inmetro, por sua vez, conduziu o processo de maneira participativa, democrática, mas acima de tudo permitiu que todas as entidades interessadas pudessem opinar e oferecer os seus comentários e sugestões. Acho que esse processo foi ímpar e verdadeiramente impecável”, comentou.

Sobre a criação da AIEC, Synésio Batista da Costa comentou que a Abrac, em conjunto com o Instituto Argentino de Normalização e Certificação (Iram), e a Associação Colombiana de Avaliação da Conformidade (Asocec), fundaram em 2020 a Associação Interamericana de Avaliação da Conformidade (AIEC). “A entidade promoverá atividades no âmbito interamericano com o intuito de consolidar os conceitos de avaliação da conformidade”.

Painel Organismos de Avaliação da Conformidade

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O vice-presidente de Produtos, Alexandre Xavier L. Martins, e o conselheiro da Abrac, Paulo Henrique Dantas Martins Bertolini, participaram do painel Organismos de Avaliação da Conformidade, em conjunto com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Verificação e Certificação de Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa e Relatórios Socioambientais (Abraveri), Felipe Bottini.

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Alexandre Xavier L. Martins fez uma apresentação sobre Avaliação Remota: o “novo normal” em Certificação de Produtos. Ao iniciar a explanação, o destacou que 70% das indústrias brasileiras perderam faturamento nesta pandemia, ao mesmo tempo em que se deu um momento de quebra de paradigma, que veio para acelerar tendências já existentes. “Percebemos que, após o susto inicial, muitos ganhos e oportunidades surgiram desse cenário”.

Entre os benefícios e oportunidades da auditoria remota, Martins destacou a abertura para novos clientes (mais facilidade e redução de custos, aceleração de tratativas, entrada de produtos mais ágil); flexibilização e otimização; agilidade no agendamento; redução de custos em logística; ganhos de eficiência e objetividade; e mais segurança, devido ao distanciamento.

A respeito da acreditação, destacou que o processo vem ocorrendo de maneira muito satisfatória, e a experiência e interação entre avaliadores se tornou ainda mais relevante.  Ao falar sobre a atuação dos Organismos de Certificação de Produtos (OCPs) com as ferramentas remotas e a atuação na prática, Martins elencou pontos como as condições de tecnologia que influenciam a qualidade da autoria remota, mas no geral não restringem sua ação e linhas de produção com mais tecnologia viabilizam de forma mais natural a ação tecnológica que o “novo normal” trouxe.

“Acreditamos que apesar da tecnologia não estar impossibilitando, na imensa maioria das situações, as auditorias, seja no ponto de vista da acreditação ou na atuação como OCP, talvez fosse necessário ou fosse desejável um sistema padrão para troca de documentos, auditorias e outras situações relacionadas”, acrescentou o vice-presidente de Produtos.

Segundo ele, alguns critérios, na evolução da auditoria remota, podem precisar ser revisados e devem ser bastante específicos para o entendimento.

“Primeiro um padrão mínimo entre os OCPs para não destoar entre a atuação de um e outro. O dimensionamento das auditorias, entendemos que algumas situações precisam dessa maior assertividade. A questão da qualificação dos auditores/avaliadores é ainda mais relevante no modelo remoto e talvez precisasse de alguma revisão para garantir a qualidade do processo”, comentou Martins.

Na sequência, o conselheiro da Abrac, Paulo Henrique Dantas Martins Bertolini, realizou a sua apresentação sobre Avaliação Remota: as mudanças e adaptações na avaliação da conformidade – Certificação de Sistemas de Gestão, iniciando sua explanação com a frase do CEO da Slack, Stewart Butterfield. “Todos nós sabemos que o trabalho nunca mais será o mesmo, mesmo que nós não saibamos ainda todas as formas nas quais ele será diferente”.

“Tivemos que mudar de maneira muito rápida e tivemos que nos adaptar. Porque se nós não mudássemos, aqui em caso específico, era fechar as portas mesmo. Na certificação de sistemas isso foi uma verdade, ou a gente mudava e se adaptava ou ia ser de porta fechada até praticamente agora”, declarou Bertolini.

Sobre as oportunidades da avaliação remota, o conselheiro destacou a revisão de processos (atividades remotas e reuniões em vídeo conferência); novos produtos/serviços separados em três níveis – compliance, processos e sistemas de gestão -, ampliação da aplicação de atividades remotas (auditorias, reuniões, webinar), redução de custos diretos e indiretos e benefício a toda a cadeia do negócio.

Referente a atuação dos Organismos de Certificação de Sistemas, Bertolini elencou os aspectos positivos, como o fato de que boa parcela dos processos de gestão podem ser auditados remotamente, a redução dos tempos de deslocamento em auditorias, a objetividade e flexibilização de agenda e a melhoria no planejamento. Entre os pontos negativos, apontou a avaliação da atividade produtiva (visão fragmentada e parcial do processo, perda de aspectos sensoriais, e comunicação em ambientes fabris) e a potencialização dos riscos de segurança da informação.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac