“A infraestrutura para avaliação de produtos 5G está plenamente capacitada no Brasil”

Em entrevista à Abrac, Fabio Jacon, vice-presidente de Telecomunicações da entidade comentou sobre a área.

Jacon

O vice-presidente de Telecomunicações da Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac), Fabio Jacon, concedeu entrevista exclusiva à entidade para comentar sobre os trabalhos realizados pela área.

Jacon é diretor executivo do Instituto Brasileiro de Ensaios de Conformidade Ltda. (IBEC), mestre em engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, o vice-presidente da Abrac atua há mais de 20 anos na área de avaliação da conformidade, e é avaliador técnico da Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

“Parabenizo a presidência, superintendência e conselho da Abrac pela decisão estratégica de criar a vice-presidência de Telecomunicações, que tem se demonstrado bastante respeitada e ativa junto à sociedade, reguladores e autoridades de Governo, e está cada vez mais próxima de seus associados e também dos laboratórios e organismos de certificação que ainda não são associados à entidade”, comentou Jacon.

Leia a entrevista na íntegra.

Abrac – Quais são os principais objetivos da vice-presidência de Telecomunicações da Abrac?

Fabio Jacon – A vice-presidência é a mais nova área de atuação da Abrac, criada em maio de 2020. Os principais objetivos são representar os associados da entidade junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ao Inmetro para assuntos voltados a certificação de produtos de telecomunicações, software e segurança cibernética.

Abrac – Quais são as principais pautas trabalhadas na vice-presidência?

Fabio Jacon – As principais pautas trabalhadas são a lista de classificação de produtos de telecom e os modelos de avaliação da conformidade aplicáveis segundo os regulamentos da Anatel; aproximação com a indústria e com as representantes de classe, como  a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e Associação de Empresas de Desenvolvimento Tecnológico Nacional e Inovação (P&D Brasil), dentre outras, em busca de uma agenda positiva do setor; posicionamento nacional sobre a certificação de equipamentos de telecomunicações no mundo; trabalhos nas frentes de discussões do pós mercado da Anatel e modelo de certificação brasileiro; e discussões dentro do tema de segurança cibernética.

Abrac – Como avalia a importância da Abrac instituir uma vice-presidência voltada diretamente para a área de telecomunicações?

Fabio Jacon – A vice-presidência é muito importante em função da transversalidade das telecomunicações, que permeiam e interagem com outras grandes vice-presidências da Abrac, como a de Laboratórios, Produtos, Relações institucionais e de Sistemas e Pessoas. Isso estará cada vez mais presente com a evolução do 5G, a indústria 4.0 e Internet das Coisas (IoT).

Abrac – Quais são os projetos da vice-presidência para o segundo semestre de 2021?

Fabio Jacon –  Trabalhos para o desenvolvimento dos temas envolvidos em segurança cibernética, regidos pelo Ato 77 da Anatel, próximos à agência; participação no Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados para Implementação do 5G no Brasil, sob coordenação da deputada federal Perpétua Almeida; acompanhamento dos projetos na área de telecom junto à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados; e trabalhos de agenda positiva junto a Cgcre e Diretoria de Avaliação da Conformidade (DCONF) do Inmetro para o desenvolvimento de programas de avaliação da conformidade nas áreas de segurança cibernética e softwares.

Abrac – Como avalia o desenvolvimento das telecomunicações em 2020 e no primeiro semestre de 2021?

Fabio Jacon – A pandemia do novo coronavírus trouxe várias mudanças na vida das pessoas no mundo todo, impactando também no mundo digital. Um aumento de tráfego na internet sem precedentes foi ocasionado pela quarentena e a necessidade de manter o distanciamento social. Isso levou a um crescimento entre 40% a 50% no uso do ambiente virtual no Brasil, de acordo com dados da Anatel. Essa expansão se deve diretamente à pandemia, que ocasionou o crescimento do uso dos serviços online, redes sociais e entretenimento. Por conta da necessidade de ficar em casa, as pessoas passaram a usar mais a internet para diversas atividades. Entre elas podemos citar: serviços de streaming de filmes; uso de redes sociais para entretenimento; delivery; home office; busca de informações sobre serviços públicos; compras no e-commerce; aulas e cursos online, etc.

Além disso, muitas empresas precisaram manter seus colaboradores em home office, aumentando o uso da internet para o trabalho e realização de videoconferências. As escolas, faculdades e universidades também se adaptaram, cancelando as aulas presenciais — substituídas por aulas online. Tudo isso resultou em uma sobrecarga na infraestrutura de comunicações do país. E mesmo com todas essas mudanças o sistema brasileiro de Telecom suportou de forma muito robusta e confiável, deixando claro a importância da qualidade dos produtos e serviços deste mercado.

Abrac – O Edital de implantação do sistema 5G no Brasil deverá ser votado no Tribunal de Contas da União no dia 18 de agosto. A expectativa do Ministério de Comunicações é que a nova tecnologia já esteja ativa em algumas localidades do Brasil até julho de 2022. Como avalia o papel dos Organismos de Certificação e Laboratórios para o cumprimento deste prazo? 

Fabio Jacon – A Anatel já tem publicado, desde 12 de junho de 2021, os requisitos técnicos de avaliação da conformidade para a tecnologia 5G (Atos 3151, 3152 e 3153). Já existem três laboratórios nacionais acreditados para os ensaios e todos os Organismos de Certificação Designados (OCDs) com escopo em tecnologia 4G foram designados para certificação em 5G. Assim, a infraestrutura para avaliação de produtos 5G está plenamente capacitada no Brasil. Espera-se que com o leilão do 5G a demanda para certificar produtos nessa tecnologia aumente, dado que no momento ainda é incipiente.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac