“A certificadora deve estar sempre à frente da tecnologia”

Paulo Eduardo Sípoli, coordenador técnico do OCD da Dekra, comentou sobre a certificadora, 5G, avaliação da conformidade, entre outros tópicos.

O coordenador técnico do Organismo de Certificação Designado (OCD) da Dekra, Paulo Eduardo Sípoli Faria concedeu entrevista exclusiva à Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac) para falar sobre a certificadora, 5G, avaliação da conformidade, entre outros tópicos.

Associados à Abrac há quatro anos, a Dekra foi fundada em 1925 e desde então mantém a promessa de garantir a segurança da interação humana com a tecnologia e o meio ambiente. A empresa emprega atualmente 44.000 pessoas em mais de 60 países em todos os seis continentes.

Leia a entrevista na íntegra.

Abrac – A DEKRA é uma certificadora designada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Quais são os principais produtos certificados na área de telecomunicações?

Paulo Eduardo Sípoli Faria – Primeiramente é necessário enfatizar a necessidade da certificação. Produtos não certificados podem oferecer riscos à população e no caso da falta da certificação Anatel tanto pela exposição a potências de sinais de RF acima do permitido, quanto a possíveis danos causados por uso de aparelhos não certificados. Um simples produto como uma babá eletrônica pode interferir em um radar de aeroporto. Ou uma pessoa pode sofrer um choque elétrico, ou a bateria do celular pode vir a explodir, quando é utilizado um carregador de celular falsificado.

Visto a necessidade de mitigação dos riscos, a certificação Anatel cobre vários produtos, tanto os que utilizam sinais de rádio, como fones bluetooth, tablets, telefones celulares, drones, dentre outros, quanto os que não utilizam como roteadores de dados, carregadores de telefones celulares ou fios telefônicos, por exemplo.

Abrac – Como a DEKRA se adaptou para atuar no escopo do 5G?

Paulo Eduardo Sípoli Faria – A DEKRA, sendo uma empresa global, tem estado atenta as atualizações de todas as tecnologias, tanto para manter seu corpo técnico atualizado quanto para manter os mais avançados equipamentos em seus laboratórios. Esta necessidade de atualização aconteceu com o 5G e outras tantas tecnologias que vieram para ficar.

Desde o início do pensamento da utilização do 5G, a DEKRA já se preparava treinando seus funcionários e equipando os laboratórios com dispositivos de testes.

Abrac – Qual a importância das certificadoras se adaptarem para atuar com o 5G?

Paulo Eduardo Sípoli Faria – A certificadora deve estar sempre à frente da tecnologia, se mantendo atualizada em tudo o que ocorre no mundo. Hoje mesmo já se fala do padrão WiFi 7, ainda não comercial, e já estamos verificando como poder atuar frente a esta tecnologia. A certificadora tem que estar apta a entender o produto, a sua tecnologia, e com isso poder verificar com assertividade se este produto pode ou não ser comercializado no país.

Abrac – Há quanto tempo a DEKRA é associada à Abrac e qual a importância de fazer para da Associação?

Paulo Eduardo Sípoli Faria – A DEKRA é associada da ABRAC há quatro anos e a participação como membro nos traz diversos benefícios como a presença em diversos fóruns de discussão com várias entidades representativas dentro do sistema de avaliação da conformidade, sendo a principal delas o Inmetro, além da oportunidade de interagir com entidades internacionais como o IAAC, ILAC e IAF.

Abrac – Como avaliam a importância de atuar com avaliação da conformidade?

Paulo Eduardo Sípoli Faria – Devido as diferentes necessidades mundiais em relação ao uso de espectro de RF, tensões de operação e outros requisitos técnicos, acabam existindo muitas versões de um mesmo aparelho ao redor do mundo. Este aparelho estar certificado para uso na Europa, nos EUA, não significa que está apto para uso no Brasil. A avaliação da conformidade verifica se aquela versão do produto a ser vendido no Brasil consegue atender aos requisitos mínimos de segurança e funcionalidade necessários para que esse possa operar sem riscos aqui, visto nossas singularidades de uso de espectro e tensões/frequências de operação. Muitos desses produtos podem apresentar riscos à integridade dos usuários, seja devido ao risco de incêndio ou interferências de sinais de rádio, como o exemplo da babá eletrônica citado acima.

Sem a avaliação da conformidade a população estaria sujeita aos mais diversos problemas possíveis e a DEKRA se sente muito orgulhosa em poder dizer que faz parte desse processo, neste caso tanto para produtos Inmetro, quanto Anatel ou Produtos Controlados pelo Exército.

Fonte: Assessoria de imprensa da Abrac