“A adoção da inspeção acreditada visa aprimorar a qualidade técnica das obras de engenharia desde a fase de concepção até a sua execução”

Em entrevista à Abrac, a pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo, Gisleine Coelho de Campos, fala sobre a importância da inspeção acreditada

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A pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo, Gisleine Coelho de Campos, concedeu entrevista exclusiva à Associação Brasileira de Avaliação da Conformidade (Abrac), para falar sobre o processo de inspeção acreditada, regulamentada pela Portaria do Inmetro nº 367 de 2017.

Gisleine é engenheira civil pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mestrado e doutorado pela mesma universidade, na área de Geotecnia. Além de ser pesquisadora no IPT, atua também como professora e orientadora dos cursos de pós-graduação ofertados pelo Instituto. Atualmente é coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Habitação do IPT, responsável técnico do IPT – OIA (Organismo de Inspeção Acreditada de Obras de Infraestrutura) e membro da Comissão Técnica de Infraestrutura da Abrac.

De acordo com a engenheira, a contratação de um Organismo de Inspeção, independente e tecnicamente competente, traz benefícios para todos. “Considerando que vivemos um período bastante atípico por causa da pandemia, precisamos garantir que os novos projetos e obras sejam conduzidos num ambiente de negócios onde a confiança e a qualidade técnica prevaleça. Para tanto, o programa de inspeção acreditada se apresenta como uma inovação do setor, com potencial de trazer grandes vantagens à infraestrutura brasileira”, comentou a pesquisadora.

Leia a entrevista completa:

Abrac – A inspeção acreditada foi regulamentada através da Portaria do Inmetro nº 367 de 2017. Como avalia a importância dessa norma para a sociedade?

Gisleine Coelho de Campos – O Brasil enfrentou instabilidades políticas e crises econômicas importantes na última década, que acabaram por afetar o setor da construção e demais setores ligados a esse segmento da economia. A publicação da Portaria do Inmetro representou, neste cenário, um marco para o aumento da confiabilidade e da segurança jurídica dos projetos e obras, trazendo benefícios não só para as empresas do setor, mas também aos investidores em obras de infraestrutura, aos gestores públicos e aos usuários de forma geral. A adoção da inspeção acreditada visa aprimorar a qualidade técnica das obras de engenharia desde a fase de concepção até a sua execução, mitigando riscos e aumentando a confiança do mercado na qualidade dos serviços prestados, nos prazos e no orçamento estimado.

Abrac – As primeiras obras com inspeção acreditada já estão sendo realizadas, como a Rodovia Pipa e Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). Acredita que no futuro, essa certificação será mais utilizada?

Gisleine Coelho de Campos – Toda mudança de regulamentação requer um tempo de adaptação e de absorção pelo mercado. Com certeza, os resultados dos projetos Pipa e Fico irão estimular os órgãos públicos a demandar a inspeção acreditada em seus novos editais e muitas empresas passarão a adotar essa prática como um diferencial de mercado, visando obras de infraestrutura com maior qualidade técnica, em prazos e com custos de implantação compatíveis.

Abrac – Temos visto muitas notícias sobre a inspeção acreditada em rodovias. Como está o andamento em aeroportos e ferrovias?

Gisleine Coelho de Campos – O transporte rodoviário é o modal mais conhecido e utilizado no Brasil, demandando grandes investimentos frequentes em ampliações e manutenções da malha viária. Isso explica, em parte, o fato de se ter um maior envolvimento inicial das Rodovias com a Inspeção Acreditada. No entanto, como a regulamentação da inspeção envolve diferentes escopos ligados à infraestrutura – aqui inclusos os Aeroportos e Ferrovias – entendo que, naturalmente, os demais setores, vendo os benefícios da adoção da inspeção, passarão a adotar essa prática em seus projetos e obras.

Abrac – Qual a importância da Abrac possuir uma vice-presidência de Inspeções, além de comissões e comitês relacionados ao tema?

Gisleine Coelho de Campos – A Abrac tem um importante papel na articulação e na construção de propostas que atendam às demandas da sociedade. No caso específico da Inspeção Acreditada não poderia ser diferente: por meio da vice-presidência, das comissões e comitês, a Abrac consegue reunir as contribuições de todos os agentes envolvidos no processo, fomentando assim a adoção das boas práticas nos projetos e obras de infraestrutura e, por conseguinte, ajudando a consolidar a regulamentação da inspeção acreditada no Brasil, já adotada com sucesso em outros países do mundo.

Abrac – Na sua opinião, qual será o futuro da inspeção acreditada?

Gisleine Coelho de Campos – Em minha opinião o programa de inspeção tende a crescer e se expandir para outras áreas nos próximos anos. O Programa de Inspeção Acreditada para Empreendimentos de Infraestrutura do Governo Federal foi lançado há 3 anos e já está sendo adotado por grandes projetos e obras. Ainda não há cases concluídos e divulgados, o que, quando vier a ocorrer, certamente ajudará a difundir a prática da inspeção acreditada e a reconstruir a imagem do setor de infraestrutura do país.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Abrac